FREQUÊNCIA MENTAL: ATIVA 4.0

Inconsciente

Para notar o que vem agora
Fecho os olhos e sinto o que vem de fora
Silencioso marcado, em boa hora
O desconhecido quem sabe me adora

Não sinto o leve
Muito menos o pesado
Apenas um estalo
Que me empurra para o lado

Não questiono
Acredito e sigo
Dando ou não certo

Paro, reflito e continuo
Conserto e amadureço
E assim permaneço

Grito silencioso

Aquele grito no banheiro
Misturado com música no chuveiro
Pra ninguém perceber o desespero
Deste momento não por todo inteiro

Ora feliz e saltitante
Com aquele sorriso cativante
Ora pra baixo e ofegante
Com os olhos distantes

Mil coisas à resolver
Mas o ânimo impede de fazer
Assim permaneço até amanhecer

Ao ver que o dia clareou
Fecho os olhos e penso em tudo que passou
Choro internamente pela força que se esgotou

O outro lado da rua

Lembro como se fosse hoje
Eu indo do outro lado da rua
Em um boteco desses de interior
Comprar um refrigerante para o lanche
O bar possuía três portas altas
Que remetiam à construções coloniais
Era um tanto escuro
Clareado basicamente pela luz de meio dia
Que adentrava pelas três compridas portas
Por acaso era o mesmo bar que às vezes
Meu avô pedia-me para comprar cigarros
Tinha um balcão que ía de um canto ao outro
Algumas poucas mesas e algumas grades pelo chão
Ao que me consta na memória, só pessoas mais velhas o frequentavam
Não sei o por quê, mas este bar ficou gravado
Assim levei meu vasilhame de vidro vazio
E com alguns cruzeiros voltei com ele cheio
Aquele líquido gostoso, gasoso, era felicidade?
Um pouco, mas também conhecida como fanta laranja
O mesma sem estar gelado
Que era pra não gripar
Nisso adiquiri um gosto peculiar
Por apreciar refrigerantes sem gelo
Menos coca, porque aí já é de mais
Foi uma tarde diferente
Com fanta no lanche
Pode parecer pouco ou simples
Mas pra mim marcou a minha mente