FREQUÊNCIA MENTAL: ATIVA 4.0

Dédalo

Eram tempos felizes
A alegria vinha com pouco
Hoje a rotina está labirinta
Quanto mais se percorre
Mais perde-se a saída
Amo estar sozinho
Mas a confiança faz falta
E esta não me acompanha
Há bastante tempo

Parece um corredor enorme
Desses de hotel, cheio de portas
Vou abrindo uma a uma
Existem quartos vazios
Quartos apagados
Paredes no lugar de quartos
Quartos que nos despeja
Maçanetas que não abrem
Quartos inacabados
Calados e escuros como a noite

Às vezes consigo até sentar na cama
Mas não deitar
Tudo parece estar no lugar
Só queria descansar
E uma confiança ganhar
Difícil me concentrar
Um abraço viria a calhar
Mas o destino, este está longe de chegar
Ao fundo um trem está a passar
Fecharei a janela para amenizar
Que barulho nesse terceiro andar

Comparativo caótico de uma órbita envolvente

Existe tempestade
Assim como saturno
Seis lados tem um hexágono
E o gasoso rico englobou tudo

Super cativante
Assim como exuberante
Silencioso em seu lugar
Sozinho ele está

Lento e rápido ao mesmo tempo
Com amigas que podem envenenar
Ainda assim consegue brilhar
E seu silêncio a recarregar

Posso estar confuso
Falando de um planeta
Ou até mesmo de mim, quiçá
Não vamos embaralhar, ou vamos, sei lá

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