FREQUÊNCIA MENTAL: ATIVA 4.0

Ascendente

Um momento diferente
De certa forma calmo
Com toda certeza leve
Descobrindo aos poucos
Sorrindo aos muitos
Abraçando pra confortar
Beijando perante o deleite
Sentindo a ida
Assim como a volta
Saindo da razão
Chegando na emoção
Nunca pela contramão
Seguindo a via
De universo em expansão

Eu queria

 Eu queria cantar

Eu queria dançar

Gritar esta canção alegremente

Sorrindo bem contente

O motivo, não sei dizer

Apenas sinto que eu quero viver

Expurgar a tristeza

Berrando acordes dissonantes

Como naquela canção de antes

Piscar o olho para você

Sem saber quem sois

Estender-lhe a mão

E ter sua companhia

Em uma viagem sem destino

Com um único objetivo

A felicidade mútua

Que faz correr noite a fora

Com sorriso no rosto

E aquela brisa batendo

De volta para o passado

 Fui para o trabalho, eu trabalhava em um banco.

Este banco funcionava em um local que a agência dividia prédio com um mini shopping.

Como ainda não estava na minha hora, resolvi ir à loja de departamentos do outro lado da rua. Rodei olhando as coisas e na saída encontrei um amigo meu de infância o Evandro. Conversamos um pouco, ele me mostrou um dadinho meio gelatinoso (estilo criança querendo mostrar o brinquedo novo) e eu nervoso pois já tinha dado minha hora de bater o ponto, mas consegui me despedir e fui para o trabalho.

Lá chegando, fui bater o ponto e algo deu errado, quando bati tocou uma campainha e travou o ponto, pedi ajuda e vimos que eu estava errando um digito, consertei e bati o ponto corretamente. Dei uma caminhada por todo espaço e vi que todos os postos de trabalho já estavam ocupados.

Falei com meu chefe e perguntei se eu poderia trabalhar lá em cima. Ele com uma cara indiferente, começou a preparar os papéis para eu subir.

Ao subir, acompanhando o chefe, chego num grande vão com pessoas trabalhando e grandes mesas compartilhadas, tomo um susto com o ambiente, que era muito empoeirado, com aspecto de sótão velho que ninguém usa, meu chefe sorriu e disse: Todos se assustam.

Nesta parte superior notei que era todo teto da agência mais as lojas de baixo e esse vão dividia espaço com stands de uma dessas feiras de noivas, onde os expositores expõem seus serviços especializados em casamentos. O que me chamou a atenção era que esta parte era completamente iluminada e limpa, ao contrário da parte do meu trabalho que era muito empoeirado e tinha uma iluminação estilo bar da belle époque.

Trabalhei um período e saí para almoçar. Ao retornar e subir percebi muitas diferenças estranhas, não tinha mais os stands nem o meu espaço de trabalho. Estava tudo com uma iluminação clara, meio que ao ar livre e mais parecia um shopping popular com camelôs vendendo seus artigos de procedência duvidosa. Fiquei completamente confuso, sem saber o que fazer, desci para relatar o ocorrido para alguém e não achei ninguém conhecido, mais estranho ainda. Saí do local e aí meu mundo de fato caiu, ao perceber que a grande avenida (para referência, era parecida com a Fernandes Lima assim como o prédio era uma mescla de shopping cidade com shopping farol) estava mudada. Dei uma caminhada e vi umas lojas que não via a bastante tempo, estilos de prédio mais antigos, nomes que eu não lembrava mais e foram desbloqueados da minha memória naquele instante, (não eram esses, mas era nesta pegada: vitória paladares, Tenda). Ainda embasbacado com as mudanças e sem entender nada, andando pelas ruas de uma outra época, era nítida que a desigualdade social era maior nesse novo espaço que eu estava e que havia menos trânsito.

Fui andando até o apartamento de minha avó e notei que ele também estava diferente, parecido com o antigamente que eu lembrava da infância.

Ao encontrar minha tia, contei-lhe a história e ela ficou com cara de quem me achava doido, perguntei a ela em que ano nós estávamos, ela com uma certa pausa de quem pergunta mentalmente: ele está mesmo perguntando isso? E respondeu: 1997!

Fiquei me perguntando como isso era possível? Em que momento isso de fato ocorreu? Ai só me veio à cabeça o momento em que eu bati o ponto e notei que algo errado não estava certo. Em seguida o despertador tocou e eu acordei puto, pois não tinha as respostas e nem sabia como a história se findara.

Meio

Vamos sorrir
Pra que complicar?
Não quero mentir
Só escutar

Uns gostam de omitir
Outros nem de falar
Todavia quero garantir
Que haja um despertar

Tempo estranho
Destino desconhecido
Passagem que nunca veio
Em pleno dia de domingo

A chegada se aproxima
Tempo que dilatou
A relatividade se confirma
Com a luz que curvou

"Confusion will be my epitaph"

Preciso refletir para não desistir
O tempo está passando
O silêncio canta ao redor
Poucos o ouvem
Gritos sussurrados em pequenas sílabas
Mas ainda assim inaudíveis
A viagem está longa e segura
Quando ela acaba?
Será que acabará?
Ou será apenas uma conexão?
Seja gigabit ou cinco G
Continuo sem saber
O que eu tenho que fazer
Às vezes parar e assistir tudo cair
E aguardar tudo ressurgir
Cabeça crítica pensante
Confortavelmente Delirante
Vivo num ciclo constante
Desinspirante

Caos

Engarrafamento de ideias
Onde nada se move
Pensamento disforme
Quase uma apneia

Onde está aquele tapa?
Não veio e acho que nem virá
Estou feliz?
A resposta aqui não está

Vejo a cidade aculá
Mas não consigo alcançar
Há uma linda reta em minha frente
Que insiste em não mostrar

Preciso de um mapa
Ou o tapa pra acordar
Como diz no samba
Sorrir pra não chorar