FREQUÊNCIA MENTAL: ATIVA 4.0

Trying to set the heart controls

Quadrado escuro suspenso no ar
Sobrancelhas a pulsar
Mais uma noite a pensar
Quanto devo aguentar?

Fico a me perguntar
Onde está a leveza de querer estar
O olhar para um simples pedaço de papel
Que faz o coração acelerar

Consideração pouca há
O companheirismo melhor nem falar
A paciência acabou de acabar
Cansei de esperar

Quero voar
Sem incomodar
Você não vai mudar
Não quero te mudar
Melhor deixar pra lá?
Ou gritar?

O despertar

Hoje me emocionei
Mas por ora me controlei
Quando a vi brincar
Solitária e calma
Tentando se enturmar
Com quem não dava bola
Lembrei do passado
Isolado de maneira alta
Inventava brincadeiras
Muitas delas brincadas por dentro
Desajeitado com o outro
Foi preciso mudanças
Para o equilíbrio achar
Ou pelo menos visualizar
Foi como olhar para trás
E ver que o filme se repete
Mas este seguirá um caminho diferente
Lutarei por isso
Só preciso antes parar
Organizando o meu pensar
Deixe estar...

Caetaneando-me

Bem como o yin-yang
Ora tempestade
Ora calmaria
Vambora pra Bahia

Em um momento estável
Cansado de tomar na cara
Procurando o inefável
Achei aquilo odara

Transformado em algo diferente
Distante daquela viela
Mais para avenida do centro
Segura, imponente e bela

Mudança de pensar
Não estou mais no mesmo lugar
Venho aqui me queixar
Do eclipse oculto no ar

Pequenas lembranças noturnas aleatórias de uma infância feliz

Lembro-me quando era criança pequena lá em Arapiraca e sextas à noite meus pais colocavam discos do Belchior e Alceu Valença na vitrola enquanto tomavam cerveja e jogavam buraco, ficava observando o jogo atentamente e escutando aquelas músicas que me embalavam;
Lembro-me do cheiro e do gosto da hora do lanche no colégio, abria minha lancheira branca da Mônica e tinha suco de uva com cream cracker com margarina, forrava a toalhinha que outrora tinha sido um babador e fora cortado pra virar a toalhinha;
Lembro-me da ausência de amigos, das brincadeiras solitárias e da minha dispersão no colégio, que era gritante;
Lembro-me que eu odiava fazer cópia de texto e caligrafia, isso me gerou muitas broncas;
Lembro-me que nos meus aniversários, dias antes minhas tias iam lá pra casa ajudar a fazer os docinhos e salgadinhos, isso era tão legal quanto a festa, pois mudava completamente a minha rotina;
Lembro-me no enterro da minha bisavó, que foi de madrugada, eu via no cemitério umas luzinhas pequenas que piscavam e eu perguntei a minha mãe se eram almas, ela respondeu rindo, que eram vagalumes;
Lembro-me que na casa da minha vó tinha uma porta no móvel da sala onde ficavam os meus brinquedos e na última porta ficava minha almofada, que eu colocava no chão pra ver a novela com minha avó e minhas tias, época em que nas casas só havia uma televisão;
Lembro-me que adorava ir pra Palmeira, pois lá tinha meu primo que era quase da minha idade (dois anos mais velho), era uma das poucas crianças que eu tinha mais contato e nessas idas sempre tinham os adultos tomando cerveja e escutando Altemar Dutra e Nelson Gonçalves, fora aquela mesa redonda que o centro girava e eu achava o máximo;
Lembro-me das inúmeras brincadeiras de escritório na boutique da minha avó, usando os materiais de escritório da loja dela;
Lembro-me que toda oportunidade que eu tinha eu vinha pra Maceió com meus avós, e parecia que quando eu colocava o pé na cidade todas as gripe ou resfriados que eu tava, haviam se extinguido;
Lembro-me que minha tia sempre me segurava sentado no parapeito da varanda, e assim eu conseguia ver tudo lá em baixo;
Lembro-me que em noventa e três após um telefonema minha mãe me disse que iríamos mudar para João Pessoa, perguntando o que eu achava, eu respondi com duas perguntas e uma cara feliz: Lá tem praia? Lá tem shopping?
Lembro-me de entrar com meus pais em uma cabine na Cia telefônica de João Pessoa, para telefonar pros meus avós e mandar notícias, pois naquela época não tínhamos telefone;
Lembro-me que sempre viajavamos  à noite e painho gravava as seleções musicais dele em fitas pra escutarmos, nisso conheci legião urbana, Cazuza, enigma, Enya, fora aquela viagem pra Fortaleza que passamos 12 horas dentro do carro escutando Asa de Águia e Mastruz com Leite, gosto até hoje;
Lembro-me que em Fortaleza na sétima série estudava no melhor colégio da cidade e fazia aulas particulares pra conseguir acompanhar a turma, um determinado dia eu acordei mais pra lá do que pra cá, uma estafa mental galopante, eu vestindo a roupa pra ir à aula de reforço, contando os anos que faltavam pra parar de estudar e milagrosamente a professora ligou desmarcando porque estava doente, como eu fiquei feliz pelo descanso repentino... Hoje com trinta e quatro, vejo que ainda não estudei nem metade do que eu quero.

Reflexões da vida na privada

Reflexão 1)
Quando eu era criança meu avô comprou um apartamento no bairro Pinheiro, lá passava um ônibus chamado "Sanatório" e eu me acabava de rir ao ver o ônibus, pois nunca tinha visto essa palavra e parecia muito com sanitário.... kkk eu besta desde mil novecentos e antigamente.

Reflexão 2)
Tava lembrando aqui da musiquinha de pular corda: "Um homem bateu em minha porta e eu abri, senhoras e senhores ponha as mãos no chão", seria isso um assalto? Fica aí o questionamento!