FREQUÊNCIA MENTAL: ATIVA 4.0

Boiei

quando o vento parou eu soprei
não adiantou, pois estanquei
tentei remar e fracassei
a deriva eu fiquei

dias de sol enfrentei
por tempestades eu passei
a fome eu aguentei
parado lá me encostei

na calmaria cheguei
até quando, não sei
boiando permanecerei

observando sempre estarei
com a lua e a estrelinha continuarei
depois de muitas lutas, acho que mudei

Esquece e vem

Se falo de beleza solto um palavrão 
Pois é tanta que derrete um bestão
Sei que sou difícil e peculiar
E acabo errando tentando acertar

Outras vezes eu decidi me esconder
Mas o pensamento sempre buscou você 
Fiquei distante e assim comecei a sofrer
A noite olhava pro lado e não via você

Magoei, eu sei
Busquei, conversei
O gostar nunca cessou
E com paciência você ensinou

Será que és mesmo minha tampa da panela? 

Até um tempo acho que duvidei
Mas os dias foram passando e relaxei
De algumas formas você me complementa
De outras a gente vai e tenta

Na construção que fora parada
Os trabalhadores retornaram
Mais tijolos foram adicionados
Nesta muralha inacabada

Coroa da grande Bruxa

Hoje tive a grata surpresa de um poema meu ser resgatado lá do fundo de 2021, me deixou feliz! 


Coroa da grande bruxa


Aperna ergueu

A bota mostrou

Uma série seguiu

Desejo que ficou


A pele que nunca senti

O beijo que ainda não dei

Nao sei como ainda não te conheci

Mesmo assim te chamei


Será que há química?

Havendo passa-se à física 

Completando o estudo da geometria


Se vens eu não sei

Quero acreditar no que busquei

Só sei que de tentar não morrerei

Enfim veio

Uma vida idealizando o querer
Muitos erros, alguns acertos
Mas será que o ideal é o certo?
Percebi que eu não via o perto

Abri os olhos e decidi
Vou deixar me permitir
Pois o pouco que senti
Provei e não vou mentir
Gostei quando ele veio

Uma certa vez
Teve um baile no municipal
Que rumou para um carnaval
E dispararam uma flecha
Pelo visto em cheio
Houve protesto
Mas no fim 
Ele veio

A noite acabaria em pizza
Mas para minha surpresa
Teve forró e cinema
E no meio daquela trilha
Ele veio

Recife tentou atrapalhar
Até tentei sufocar
Mas a vida saiu do lugar
Agora tentando realinhar
Consigo voltar a digitar

Seria uma vitória?
Ou só a Vitório? 

Trilha Sonora

Imagine só... 
Uma música com poder de cura
Fazer refletir, medir e relaxar
Transmitir cheiro e sensações
Te transportar de lugar

Mas não seria uma música
Qualquer uma tem esse poder
Basta sentir e querer
E a mágica irá acontecer

Uma hora estás deitado
Na outra voltaste 20 anos
Tudo exatamente igual
Como era antes

Sensações terapêuticas
As vezes homeopáticas
Que transportam alegria
Ora nostalgia
Impressiona sua maestria
Em bailes de harmonia

O soldadinho e a joaninha

Colorida e diferente

Seria também sorridente?
Curvas diferentes
Você está contente?

Aparentemente
Tudo tranquilo na mente
Que rompe o som
Com o atraso da gente

Quando toca fica
Se cutuca bate e voa
Sem destino trupica
Onde está esta pessoa?

Nas flores de um dia bonito
Na simplicidade do vento
Com seu rosto sorrindo
Nos galhos em movimento

Virei e olhei

Saudade de usar aquela arma quente
Colocar meus pés no riacho
E ter pouco na mente
Perder o tempo no bolso
Como aquela gente
Que não liga para o cansaço
E dança indolente

A carcaça endureceu
Eclipsou a magia
Inocência se perdeu
E eu não voltei à Bahia

A construção não acabou
Lá ainda não quero estar
Só preciso parar de pensar
Onde que estou

Sonhar dançando
Dançar sonhando
Coisas que vieram
Só a lembrança ficou

Há tanto a se ver seu moço
Mas parado na esquina estou
Esperando o sinal abrir
Como eu não vi

Onde está?

Uma porção de velhos buscando a salvação
Regras e receios com medo de não ter perdão
Uma nação de estrelas com estrias
Que se diz o modelo de ponta e o centro da razão
Mas no fundo só se encherga vazio e ilusão
Cegos se dizem que caminham na direção
Entretanto não sabem quão sós estão

Tanta restrição
Uma vida de insatisfação
Descontadas em algo
Muitas vezes oposto
Que lá trás foi imposto
E se no lugar de reprovar
Conseguisse equilibrar?
Pena que muitos não irão tentar
Difícil mudar
Principalmente quando velho está

Ascendente

Um momento diferente
De certa forma calmo
Com toda certeza leve
Descobrindo aos poucos
Sorrindo aos muitos
Abraçando pra confortar
Beijando perante o deleite
Sentindo a ida
Assim como a volta
Saindo da razão
Chegando na emoção
Nunca pela contramão
Seguindo a via
De universo em expansão

Eu queria

 Eu queria cantar

Eu queria dançar

Gritar esta canção alegremente

Sorrindo bem contente

O motivo, não sei dizer

Apenas sinto que eu quero viver

Expurgar a tristeza

Berrando acordes dissonantes

Como naquela canção de antes

Piscar o olho para você

Sem saber quem sois

Estender-lhe a mão

E ter sua companhia

Em uma viagem sem destino

Com um único objetivo

A felicidade mútua

Que faz correr noite a fora

Com sorriso no rosto

E aquela brisa batendo

Meio

Vamos sorrir
Pra que complicar?
Não quero mentir
Só escutar

Uns gostam de omitir
Outros nem de falar
Todavia quero garantir
Que haja um despertar

Tempo estranho
Destino desconhecido
Passagem que nunca veio
Em pleno dia de domingo

A chegada se aproxima
Tempo que dilatou
A relatividade se confirma
Com a luz que curvou

"Confusion will be my epitaph"

Preciso refletir para não desistir
O tempo está passando
O silêncio canta ao redor
Poucos o ouvem
Gritos sussurrados em pequenas sílabas
Mas ainda assim inaudíveis
A viagem está longa e segura
Quando ela acaba?
Será que acabará?
Ou será apenas uma conexão?
Seja gigabit ou cinco G
Continuo sem saber
O que eu tenho que fazer
Às vezes parar e assistir tudo cair
E aguardar tudo ressurgir
Cabeça crítica pensante
Confortavelmente Delirante
Vivo num ciclo constante
Desinspirante

Caos

Engarrafamento de ideias
Onde nada se move
Pensamento disforme
Quase uma apneia

Onde está aquele tapa?
Não veio e acho que nem virá
Estou feliz?
A resposta aqui não está

Vejo a cidade aculá
Mas não consigo alcançar
Há uma linda reta em minha frente
Que insiste em não mostrar

Preciso de um mapa
Ou o tapa pra acordar
Como diz no samba
Sorrir pra não chorar

O planeta do elefante

Embriagado com o som doce
que escuto do elefante
Passando a brincar de bambolê
Com os anéis de Saturno na cintura
Deixando-me estonteante

Não preciso me entorpecer
Quando o que eu quero ver
Grita e me empurra
Sussurra em minha cara
Manda beijo e vai embora

Sem os anéis ficaram os gazes
Em Mimas há conquistas
Encélado quase virei budista
Assim como Titã me fecho
Diferente do artista

O mesmo elefante tornou a me procurar
E um refrigerante fomos tomar
Naquele instante tentei desabafar
Mas não era hora de falar
Então o guardei na estante

Nele estou a soprar
Um ré vou encontrar
Que rima devo procurar
Aquela branca que aquece
Abraça, acalanta e rejuvenesce

Sinuosamente

Sinto falta de carinho
Sem muita sirene
Aquele calminho
Do tipo perene

Vontade de ser querido
E de querer também
Saudade do equilíbrio
Aquele que nunca vem

Todas as ruas estão à frente
Mas só consigo entrar nas vielas
As vezes me sinto até discrente

Procuro o oriente e acho o ocidente
A passividade de todo um continente
Obriga a gente a mudar a mente

Vontadezinha

Tenho vontades
De deslizar lentamente
Quase sem encostar
Ao mesmo tempo
Quero apertar
Sentir sua vontade
Refletindo o som
Que ecoa da minha
A vontade que dá
É de demorar
Almejando a perfeição
Com som de flauta no ar
E cheiro do teu quente
Vejo as meninas dilatarem
Sob o andar
Que foi este pensar
Vou esperar
Vai que este dia chegará

Conjunto universo

São raios de luz
Que te levam à imensidão
Brilhantes no escuro
Que estendem a mão

Uma viagem cósmica
Sem direito a trovão
Apenas uma canção mental
Explodindo do coração

Enquanto não chega o final
Desfrute a velocidade, agora banal
Brilhante, silenciosa e galopante
Sem desviar um instante

Ao chegar no topo
O facho de luz se inicia
Revelando o buraco
de uma aurora tardia

Desabafo sem título

Queria escrever tudo
Sobre nada do que sei
Todas as maluquices
Que durante a vida passei

Tiveram aquelas que amei
Umas que eu detesto
E as que eu só pensei

As cidades que passei
Casas em que vivi
Os lugares onde trabalhei

Tantas pessoas que cruzei
Algumas já foram embora
Outras não podem voltar mais

Queria saber um pouco além
Enxergar com mais facilidade
O palmo que está adiante
E sofrer menos por coisas voláteis

Dédalo

Eram tempos felizes
A alegria vinha com pouco
Hoje a rotina está labirinta
Quanto mais se percorre
Mais perde-se a saída
Amo estar sozinho
Mas a confiança faz falta
E esta não me acompanha
Há bastante tempo

Parece um corredor enorme
Desses de hotel, cheio de portas
Vou abrindo uma a uma
Existem quartos vazios
Quartos apagados
Paredes no lugar de quartos
Quartos que nos despeja
Maçanetas que não abrem
Quartos inacabados
Calados e escuros como a noite

Às vezes consigo até sentar na cama
Mas não deitar
Tudo parece estar no lugar
Só queria descansar
E uma confiança ganhar
Difícil me concentrar
Um abraço viria a calhar
Mas o destino, este está longe de chegar
Ao fundo um trem está a passar
Fecharei a janela para amenizar
Que barulho nesse terceiro andar