FREQUÊNCIA MENTAL: ATIVA 4.0

Meninona

Tu que se diverte com pouco
Tu que abraças tão gostoso
Tu que gritas quando estás feliz
Tu que me faz tão feliz

Tu que cantas tudo errado
Tu que nem liga quando canta errado
Tu que dás cantadas engraçadas
Tu que és bem ousada

Tu que vieste lá de baixo
Tu que falavas "Bah"
Tu que agora também falas "ôxi"

Tu que serás uma eterna meninona
Tu que também és uma tremenda gatona

Sim, tu mesmo da motoquinha

Sabes de uma coisa?

Ps: I love you

Vagão de containers

Tenho costume de chegar em casa à noite e olhar para o céu
Pode parecer bobagem
Mas isso acalma
Por alguns segundos
Parece que tudo fica em câmera lenta
Os barulhos vão para longe
E nesta micro viagem particular
Brilha um sorriso feliz, besta, desses de casal apaixonado

Uma certa noite,  quando estava saindo de casa
Decidi olhar para o céu
Nisso flagrei o voo rasante de uma coruja
De um prédio para o outro, bem despretensioso

Senti como se tivesse ganhado numa mini loteria
E aquele sorriso besta, por alguns instantes, voltou a se plantar em meus pensamentos

Pequenos sentimentos como este
Demandam containers para armazená-los
E alimentam minha vida
Colocando mais uma lenha
No vapor desta locomotiva louca
Que vez ou outra pensa ter chegado à estação
Mas logo vê que nada mais é
Do que mais uma miragem
O que resta é por mais lenha
Só espero que este vagão tender demore a esgotar

Ao som do espaço

Subo em andares que não existem mais
Planos imaginários suspensos no ar
Fantasmas habitam este espaço sem vida
Pois onde havia, não existe mais
Quem dera um dia isso tudo acabar
Mas impossível isso será
Pois o homem foi concebido para confrontar e questionar
Isso ou aquele e em qualquer lugar
O que resta é apenas esperar a paz chegar
De uma forma ou de outra ela aparecerá
Pode até demorar
Mas um dia você irá encontrar
Nem que seja em outro lugar
Podendo assim observar
Toda a magia daquele lugar

Oceano de ilusões que inundam multidões

Tomada pela novidade
Foi conhecer este novo pensar
Chegando lá, confortável estava
Porém algo começou a mudar
E aquele que parecia um deus
Logo se mostrou como Barrabás

Cheio de preocupações, com mil ligações
Sufocava e sempre arrumava um jeito de saber como estava
Este cuidado não se refletia em seu rebanho
Por que será que apenas com ela isso acontecera?
Seria ela aquela frágil bonita, de pensamentos puros, e que cega pela fé cairia no conto do vigário?
Por sorte, seus olhos foram abertos
Então percebera, as reais intenções daquele que era seu deus
Naufragando assim qualquer futura continuação de pensar por aquele lugar

Sua fé continua inalterada
Apenas desacreditada
Com instituições que se dizem sagradas
Percebendo a podridão que encontra-se debaixo daquele tapete surreal
Que transforma o intocável em mais um marginal
Baixo e desprezível, que não merecia estar naquela posição

Uma pena que muitos não se dão conta
Que sua fé foi apenas usada
Para ser abusada, ou manipulada
Sem se importar com o que pode acontecer
Continuam a fazer
Mas este, um dia pagará, seja aqui ou noutro lugar
De alguma forma isso se reverterá
E ele encontrará o caminho correto que lhe libertará.

A tempestade e a calmaria

Chuva ritmada
Num compasso sincronizado
Nossa, quanta água derramada
Cai logo ali ao lado

Terminada a parte molhada
Tudo seca ali na estrada
Nenhuma nuvem atrapalhada
Zombará de mim sentado na escada

Nesses tempos modernos
Sejam eles secos e molhados
Com ou sem ventos no litoral
Que aprendem a voar
Como pedras rolantes
Perdidas no vento
Ontem ao luar

Propedêuticas do Destino

Volto meio louco
Mas só um pouco
Sempre a observar
A matemática dura do mundo
Balancear-se com literatura poética do amor
Essa química é um verdadeiro primor
Que vive em um eterno atrito físico
Entre as palavras doce que o artista deixou
E o português frio daquele velho amigo que ficou
Mas que a vida seja leve
Como aquela aula de educação artística que sempre acalmou
Expondo aquele perfil que poucos conheceram
Deixando à mostra aquele lado escuro
Que continua escuro
Sem fazer questão de brilhar
Pois este se acende
Mas só quando o sol chegar

São 3 horas da manhã

Nesta hora todos descansavam
Principalmente ela
Cansada muito ela estava
Mas por algum motivo
Não está mais
Apenas a observo
Neste local de velas artificiais
Com o carinho de todos aqui presente e nada mais
Da mesma forma que ela tinha com a gente
Sempre com mil desculpas
Agora é a nossa vez de nos desculpar
Por não mais poder ajudar
Quero desejar tranquilidade nesse seu novo lar
Que um dia todos nós iremos alcançar
E assim poderemos nos reencontrar
Com isso quero lembrar...
Quem a conheceu, jamais esqueceu
Sempre buscou uma forma de ajudar
Seja um conhecido ou alguém que estava a precisar
Medir esforços jamais esteve em seu pensar
É dessas coisas que eu quero para sempre te lembrar
Feliz porque agora você pôde descansar.

1961~2016