FREQUÊNCIA MENTAL: ATIVA 4.0

Na praia

Quando você passa da arrebentação
E para naquela posição
Calmamente você sobe
Pensa, olha e fica grande
E suavemente você desce
Às vezes mais até do que parece
Repetindo isso numa paz constante
Ora de pés no chão
Ora de pensamentos na imensidão

Em meio aquela praia cheia
Você visualiza suas coisas na areia
Alguém mais poderia estar lá?
Penso em voltar
Mas para isso
Pela arrebentação
Novamente terei que passar
Só que desta vez não vou ligar
A usarei pra me impulsionar
E feliz vou sair
Para tomar aquele guaraná
Que sempre quis.

De olhos fechados

Vejo logo que aqui não vou parar
Caminhar por pensamentos itinerantes
Dançantes, como aquele disco de antigamente
Que fazem o olho brilhar

Nisso eu penso e vejo a saída
Grande e óbvia, bem convidativa
Mas prefiro dar a volta
Sabendo que irei chegar
Contemplo mais a ida
E sorridente sigo o cortejo bem devagar

Dizer sem saber explicar
Medo tenho de falhar
Sigo receoso com meu caminhar
Sinto que preciso me recarregar
E então conseguir conectar

Dias passados

Numa noite triste de 78
Estava em um barzinho
Na companhia de uma cerveja
Em uma mão havia o copo
Na outra um cigarro
Que flambava meu pensamento
Ao fundo tocava Álibi
Havia uma certa penumbra
Cortada apenas por luzes verdes
Que ficavam atrás das garrafas
Deixando todo estabelecimento
Reluzente de esperança
E ausente de alegria
Só eu lá, prestando atenção
Mas a luz corou
Quando a música mudou
Senti-me um ébrio
Precisava parar com isso
E realmente parei para sempre
Até que tudo acabou
Seis anos depois eu nasci. 

Tentando saber

Eu queria escrever sem parar
Não me preocupar
Com a métrica da poesia
Apenas desabafar
O que está aqui dentro
É o que eu queria?

Como vou saber
Se nem o que quero sei dizer
Preciso levantar
Crescer e ir para lá
Este rumo vou traçar

Declaro que logo logo
Alguma revolução irá estourar
A emancipação precisa chegar
E um novo município se criar

Altos e baixos irão acontecer
Mas o aprendizado vem pra fortalecer
Alicerçando todo meu ser

Ainda continuo sem saber
Onde está você

Na dúvida, eu dormi

A garagem ou caverna

O que sinto aqui dentro
Não sei ao certo
Mas por todo caminho que entro
As coisas não parecem tão perto

Tento caminhar
Tropeço, olho pra trás, mas ninguém viu
Ontem ao luar
Bolei, chorei, será que o coração partiu?

Cansado do tamanho deste fio
Cadeiras não confortam mais
Sinos que badalam em tons desiguais
Fazem revoar todos os pardais

A terça chega, logo não vem a quarta
Rodopiam caminhos em minha frente
O que se diz certo ri alegremente
Que dúvida pesada, a escolha ingrata

OK reflexivo

Sentimentos secos
Em meio ao som dos molhados
Relembrando aquele passado
Que não sei se estava lá

Retomando o caminho
Bem de mansinho
Pergunto-me se estou no caminho
Ou se o percorrido fora certinho

Naquele ano eu morri
Nesse eu volto a brilhar
É claro que algumas coisas
Parecem não mudar

Onde está o erro? Será que há?
Se há, vamos tentar mudar
Senão o que resta é o não estar
Ainda não conheço o meu lugar

Como é não querer parar?

Hoje amanheceu tão calmo
O vento soprava canções
Lembrei do flutuar
Com você em meus braços
Em meio ao nosso conversar

Foi tudo tão natural
Continua sendo
Sem igual
Sempre crescendo
Mas sem forçar
Assim eu descobri

Como é não querer parar