FREQUÊNCIA MENTAL: ATIVA 4.0

Sinuosamente

Sinto falta de carinho
Sem muita sirene
Aquele calminho
Do tipo perene

Vontade de ser querido
E de querer também
Saudade do equilíbrio
Aquele que nunca vem

Todas as ruas estão à frente
Mas só consigo entrar nas vielas
As vezes me sinto até discrente

Procuro o oriente e acho o ocidente
A passividade de todo um continente
Obriga a gente a mudar a mente

Vontadezinha

Tenho vontades
De deslizar lentamente
Quase sem encostar
Ao mesmo tempo
Quero apertar
Sentir sua vontade
Refletindo o som
Que ecoa da minha
A vontade que dá
É de demorar
Almejando a perfeição
Com som de flauta no ar
E cheiro do teu quente
Vejo as meninas dilatarem
Sob o andar
Que foi este pensar
Vou esperar
Vai que este dia chegará

Conjunto universo

São raios de luz
Que te levam à imensidão
Brilhantes no escuro
Que estendem a mão

Uma viagem cósmica
Sem direito a trovão
Apenas uma canção mental
Explodindo do coração

Enquanto não chega o final
Desfrute a velocidade, agora banal
Brilhante, silenciosa e galopante
Sem desviar um instante

Ao chegar no topo
O facho de luz se inicia
Revelando o buraco
de uma aurora tardia

Desabafo sem título

Queria escrever tudo
Sobre nada do que sei
Todas as maluquices
Que durante a vida passei

Tiveram aquelas que amei
Umas que eu detesto
E as que eu só pensei

As cidades que passei
Casas em que vivi
Os lugares onde trabalhei

Tantas pessoas que cruzei
Algumas já foram embora
Outras não podem voltar mais

Queria saber um pouco além
Enxergar com mais facilidade
O palmo que está adiante
E sofrer menos por coisas voláteis

Dédalo

Eram tempos felizes
A alegria vinha com pouco
Hoje a rotina está labirinta
Quanto mais se percorre
Mais perde-se a saída
Amo estar sozinho
Mas a confiança faz falta
E esta não me acompanha
Há bastante tempo

Parece um corredor enorme
Desses de hotel, cheio de portas
Vou abrindo uma a uma
Existem quartos vazios
Quartos apagados
Paredes no lugar de quartos
Quartos que nos despeja
Maçanetas que não abrem
Quartos inacabados
Calados e escuros como a noite

Às vezes consigo até sentar na cama
Mas não deitar
Tudo parece estar no lugar
Só queria descansar
E uma confiança ganhar
Difícil me concentrar
Um abraço viria a calhar
Mas o destino, este está longe de chegar
Ao fundo um trem está a passar
Fecharei a janela para amenizar
Que barulho nesse terceiro andar

Comparativo caótico de uma órbita envolvente

Existe tempestade
Assim como saturno
Seis lados tem um hexágono
E o gasoso rico englobou tudo

Super cativante
Assim como exuberante
Silencioso em seu lugar
Sozinho ele está

Lento e rápido ao mesmo tempo
Com amigas que podem envenenar
Ainda assim consegue brilhar
E seu silêncio a recarregar

Posso estar confuso
Falando de um planeta
Ou até mesmo de mim, quiçá
Não vamos embaralhar, ou vamos, sei lá

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