FREQUÊNCIA MENTAL: ATIVA 4.0

Caos

Engarrafamento de ideias
Onde nada se move
Pensamento disforme
Quase uma apneia

Onde está aquele tapa?
Não veio e acho que nem virá
Estou feliz?
A resposta aqui não está

Vejo a cidade aculá
Mas não consigo alcançar
Há uma linda reta em minha frente
Que insiste em não mostrar

Preciso de um mapa
Ou o tapa pra acordar
Como diz no samba
Sorrir pra não chorar

O planeta do elefante

Embriagado com o som doce
que escuto do elefante
Passando a brincar de bambolê
Com os anéis de Saturno na cintura
Deixando-me estonteante

Não preciso me entorpecer
Quando o que eu quero ver
Grita e me empurra
Sussurra em minha cara
Manda beijo e vai embora

Sem os anéis ficaram os gazes
Em Mimas há conquistas
Encélado quase virei budista
Assim como Titã me fecho
Diferente do artista

O mesmo elefante tornou a me procurar
E um refrigerante fomos tomar
Naquele instante tentei desabafar
Mas não era hora de falar
Então o guardei na estante

Nele estou a soprar
Um ré vou encontrar
Que rima devo procurar
Aquela branca que aquece
Abraça, acalanta e rejuvenesce

Sinuosamente

Sinto falta de carinho
Sem muita sirene
Aquele calminho
Do tipo perene

Vontade de ser querido
E de querer também
Saudade do equilíbrio
Aquele que nunca vem

Todas as ruas estão à frente
Mas só consigo entrar nas vielas
As vezes me sinto até discrente

Procuro o oriente e acho o ocidente
A passividade de todo um continente
Obriga a gente a mudar a mente

Vontadezinha

Tenho vontades
De deslizar lentamente
Quase sem encostar
Ao mesmo tempo
Quero apertar
Sentir sua vontade
Refletindo o som
Que ecoa da minha
A vontade que dá
É de demorar
Almejando a perfeição
Com som de flauta no ar
E cheiro do teu quente
Vejo as meninas dilatarem
Sob o andar
Que foi este pensar
Vou esperar
Vai que este dia chegará

Conjunto universo

São raios de luz
Que te levam à imensidão
Brilhantes no escuro
Que estendem a mão

Uma viagem cósmica
Sem direito a trovão
Apenas uma canção mental
Explodindo do coração

Enquanto não chega o final
Desfrute a velocidade, agora banal
Brilhante, silenciosa e galopante
Sem desviar um instante

Ao chegar no topo
O facho de luz se inicia
Revelando o buraco
de uma aurora tardia

Desabafo sem título

Queria escrever tudo
Sobre nada do que sei
Todas as maluquices
Que durante a vida passei

Tiveram aquelas que amei
Umas que eu detesto
E as que eu só pensei

As cidades que passei
Casas em que vivi
Os lugares onde trabalhei

Tantas pessoas que cruzei
Algumas já foram embora
Outras não podem voltar mais

Queria saber um pouco além
Enxergar com mais facilidade
O palmo que está adiante
E sofrer menos por coisas voláteis