FREQUÊNCIA MENTAL: ATIVA 4.0

Belchiana 35

Para dias como hoje
Três porções de batata frita
Força e calma ao observar o auge
Daquela tempestade que irrita

Insiste em permanecer
Mas já está por enfraquecer
Cinco minutos é o que resta
E logo começará a festa

Foram trinta e cinco anos vividos
Tempo suficiente para saber
Por onde ir e por onde não ir
E descobrir essa coisa que trago em meu peito

Parafraseando o poeta
Quero uma balada nova
Pois me tornei um cara tão sentimental
E que acho tão bom

Momento insólito

Portas no automático
Viajando sem ir
Vislumbro bestificado
A inércia perante a mim

Sei que o momento é passageiro
Não busco nem acelerar
Vida que segue na ladeira
Só resta a mim apreciar

Preciso recomeçar
Antes me equilibrar
Oba, já sei andar

Logo logo vou caminhar
Só preciso me encontrar
E tudo voltará a sorrir e brilhar

Messier 87

Aquele buraco negro
Que suga até a luz
Nos faz delirar
Capturando o pensar

Matéria, luz, pensar
Se brincar até o sentir levará
Como que faz pra se safar?

Felicidade também não há
Ligamos o piloto automático
E vamos ver onde vai dar

Problemas à identificar
Ajustes a se tomar
Só preciso que o brilho volte
Com aquela vontade de brilhar

Lar doce lar

Voar ao luar
Suspenso no ar
Louco estar
Quero dançar
Mas vou contar
Tenho que falar
Poderia estar
Em outro lugar
À gargalhar
Porém ao pensar
Devo ficar
E demonstrar
Todo meu amar
Que vai me guiar
Pra algum lugar
Voltemos a brincar
Continuo a nadar
Sem pra trás olhar
De volta ao lar

Início que abriu a mente

O terreno está propício
Por enquanto larguei o vício
Estou morando num edifício
Pensei que tudo ficaria difícil

Mas o céu se abriu
e não tive mais frio
Mal chegamos em abril
e tudo já ficou por um fio

A leveza resplandecente
Chegou de forma crescente
Abraçando-me calmamente

Nunca esquecerei deste momento
Que poderia ter sido só lamento
Mas estou feliz e não me aguento

Como é bom e calmo

Por vermelho completa ela ficou
Naquele instante as amigas eram meras coadjuvantes
Com o vento que bateu constante
A música veio e embriagou

Não durou muito e clara voltou
Foi o tempo da reflexão
Sobre a vida, Kafka e a última estação
Mas esta tenho certeza que já passou

Ela andou, se escondeu
A comida acabou
Quadrado estou

Segundo avião que passa
A pequenina está parada e nem ameaça
Que os raios venham e me façam graça