FREQUÊNCIA MENTAL: ATIVA 4.0

De volta para o passado

 Fui para o trabalho, eu trabalhava em um banco.

Este banco funcionava em um local que a agência dividia prédio com um mini shopping.

Como ainda não estava na minha hora, resolvi ir à loja de departamentos do outro lado da rua. Rodei olhando as coisas e na saída encontrei um amigo meu de infância o Evandro. Conversamos um pouco, ele me mostrou um dadinho meio gelatinoso (estilo criança querendo mostrar o brinquedo novo) e eu nervoso pois já tinha dado minha hora de bater o ponto, mas consegui me despedir e fui para o trabalho.

Lá chegando, fui bater o ponto e algo deu errado, quando bati tocou uma campainha e travou o ponto, pedi ajuda e vimos que eu estava errando um digito, consertei e bati o ponto corretamente. Dei uma caminhada por todo espaço e vi que todos os postos de trabalho já estavam ocupados.

Falei com meu chefe e perguntei se eu poderia trabalhar lá em cima. Ele com uma cara indiferente, começou a preparar os papéis para eu subir.

Ao subir, acompanhando o chefe, chego num grande vão com pessoas trabalhando e grandes mesas compartilhadas, tomo um susto com o ambiente, que era muito empoeirado, com aspecto de sótão velho que ninguém usa, meu chefe sorriu e disse: Todos se assustam.

Nesta parte superior notei que era todo teto da agência mais as lojas de baixo e esse vão dividia espaço com stands de uma dessas feiras de noivas, onde os expositores expõem seus serviços especializados em casamentos. O que me chamou a atenção era que esta parte era completamente iluminada e limpa, ao contrário da parte do meu trabalho que era muito empoeirado e tinha uma iluminação estilo bar da belle époque.

Trabalhei um período e saí para almoçar. Ao retornar e subir percebi muitas diferenças estranhas, não tinha mais os stands nem o meu espaço de trabalho. Estava tudo com uma iluminação clara, meio que ao ar livre e mais parecia um shopping popular com camelôs vendendo seus artigos de procedência duvidosa. Fiquei completamente confuso, sem saber o que fazer, desci para relatar o ocorrido para alguém e não achei ninguém conhecido, mais estranho ainda. Saí do local e aí meu mundo de fato caiu, ao perceber que a grande avenida (para referência, era parecida com a Fernandes Lima assim como o prédio era uma mescla de shopping cidade com shopping farol) estava mudada. Dei uma caminhada e vi umas lojas que não via a bastante tempo, estilos de prédio mais antigos, nomes que eu não lembrava mais e foram desbloqueados da minha memória naquele instante, (não eram esses, mas era nesta pegada: vitória paladares, Tenda). Ainda embasbacado com as mudanças e sem entender nada, andando pelas ruas de uma outra época, era nítida que a desigualdade social era maior nesse novo espaço que eu estava e que havia menos trânsito.

Fui andando até o apartamento de minha avó e notei que ele também estava diferente, parecido com o antigamente que eu lembrava da infância.

Ao encontrar minha tia, contei-lhe a história e ela ficou com cara de quem me achava doido, perguntei a ela em que ano nós estávamos, ela com uma certa pausa de quem pergunta mentalmente: ele está mesmo perguntando isso? E respondeu: 1997!

Fiquei me perguntando como isso era possível? Em que momento isso de fato ocorreu? Ai só me veio à cabeça o momento em que eu bati o ponto e notei que algo errado não estava certo. Em seguida o despertador tocou e eu acordei puto, pois não tinha as respostas e nem sabia como a história se findara.